Breve momento de pausa para quebrar a rotina...

Autoria de textos e imagens do blog é de momento do café


25
Ago 11

África tão longe, momentos do passado e sem saudosismos. Passado que é revisitado com distanciamento, sim, e pelo prazer de trazer África até ao presente e colocá-la mais "perto" no tempo e no espaço geográfico. Revisito passado para reencontrar África que toma o tom dourado do capim seco e espalha o intenso cheiro a fumo da queimada, ao longe, quando a estação seca chega e o cacimbo se instala na savana. África que bebe o perfume das acácias rubras que a pontilham de vermelho fogo e que se enfeita com os tons garridos e quentes, matizes de fogo e paixão que atingem o todo o seu esplendor a cada pôr-do-sol. África que, à sombra do cajueiro na berma de uma qualquer estrada, me refresca com o suculento caju. África que me inebria com o aroma e o sabor do dendê e do jindungo. África muamba, calulu, muzonguê. África que pressinto sensual, perfumada, passo gingado de quitandeira dengosa que passa com a sua kinda vendendo as laranjas do Loje...

 

publicado por momento do café às 14:56
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12
Ago 11

África tão longe e sempre tão perto. Longe... no passado e na distância. Perto... na evocação dos dias despreocupados daquele tempo em que o tempo parava para transigir com a brincadeira, os jogos, a leitura, as farras ao som do gira-discos do mano mais velho e, até, com as malandrices que a infância e a adolescência inventavam. E, desse tempo, sobram os dias que, teimosamente presentes, perduram ajustados à marca indelével das cores, dos cheiros, dos sons, dos sabores, das gentes de África. Sentem-se no cheiro do charuto que fumava a engomadeira, a velha Juliana, de quem muito gostávamos e que respeitávamos, sentada no murete do canteiro, enquanto descansava das suas lides. E avivam-se na cor verde dos cachos de bananas dispostos, em fila, no passeio do quintal que nos levava à cozinha. Colam-se ao perfume dos abacaxis trazidos da fazenda dos tios. Daqueles tios, não de sangue, mas das grandes amizades que só em África se faziam. Misturam-se no aroma dos grãos do café da última safra que a mãe torrava lá no forno da cozinha. Acomodam-se ao cheiro do café que invadia a casa e o quintal. Reveem-se na velha máquina de café onde o mano mais velho, na hora, moía os grãos de café torrado para que o aroma e o sabor não se perdessem. Espreitam-se na velha mesa do quintal, à sombra da frondosa "mandioqueira", onde a gente adulta, em ameno convívio, saboreava o café, acabado de ser feito. África tão longe e tão perto, sempre inesquecível.

publicado por momento do café às 08:19
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21
Jul 11

O tempo não conseguiu apagar as imagens de África. A lembrança dos cheiros e das cores continuam presentes nessas imagens que a memória retém. Do cheiro a peixe no velho saco de mateba do velho pescador, o Miguel, tez negra, carapinha e barba brancas, vestido com panos às riscas coloridas, pés descalços "pelas barrocas" que o traziam da praia, a quem a mãe comprava o peixe acabado de pescar no mar, ali tão perto. Do tom vermelho daquelas barrocas que calcorreávamos em liberdade, ao calor do sol abrasador, para irmos tomar um banho ao mar, sob o olhar atento da mãe que nos vigiava discretamente lá de cima, da varanda de casa. Do morro da Samba que avistávamos lá de casa. Da sua encosta virada ao mar, a mais íngreme, que parecia querer projetar-se sobre a estrada junto à praia. Daquele extenso morro vermelho, das ossadas humanas que encontrávamos por lá!... Ouvia-se dizer que eram de soldados do tempo da Guerra Mundial. E qual delas? E seriam? Subíamo-lo, numa lufada, pelas barrocas que ficavam voltadas para a nossa casa, manhã cedo, em tempo das férias escolares dos irmãos mais velhos, farnel farto para todo o dia, a velha tenda de campanha às costas do mano responsável, o Mocho. Já no cimo, tenda armada, abancávamo-nos à sombra dela e comíamos o farnel para, à hora do almoço, sob o olhar incrédulo da mãe, nos prantarmos de volta a casa... para almoçar!

publicado por momento do café às 12:36
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19
Jul 11

O regresso a África nunca mais aconteceu. Ficaram as imagens dos tempos lá vividos. Do cheiro da terra molhada quando caíam as primeiras chuvadas. Sempre fortes. Do espetáculo da trovoada que se abatia sobre o mar e se desfrutava da varanda de casa. Dos relâmpagos que se espelhavam no mar, iluminavam a noite escura e imprimiam um forte risco de luz que dilacerava o céu negro.  Do miradouro, ao fundo da rua, onde ao fim do dia se contemplava o pôr-do-sol. Daquela linha onde os azuis do céu e do mar se tocavam e os matizes de vermelho e laranja, incandescentes, espalhavam toda a beleza do sol escaldante que se escondia para dar lugar ao silêncio da noite que só era quebrado pelos sons ritmados de uma qualquer batucada em pleno mar, frente à varanda, lá ao longe, na ilha dos Pescadores.

publicado por momento do café às 12:44
sinto-me:

12
Jul 11

Com as luzes de sinalização noturna apagadas e as cortinas das janelas corridas, por segurança, porque o tiroteio sem fim se sentia e com mais de 24 horas de espera e de angústia no aeroporto, o avião levantava voo, na noite escura. Aquela partida causou uma mágoa que se foi desvanecendo. O tempo tudo cura, dizem. Reorganiza as emoções para que se recordem os acontecimentos com distanciamento, digo eu. Jamais se esquece tudo de bom e de mau que nos marca. Houve sonhos que não puderam ser cumpridos. Uns ficaram no passado... arrumados sem amargura, nem revolta. Inadequados ao novo cenário que se desenhava. Longe de África, a realidade passava a ser outra, bem diferente. O cenário mudava, a ação prosseguia e era preciso criar ânimo e tempo para novos sonhos. A vida tinha de continuar longe da terra que me viu nascer.

 

publicado por momento do café às 09:17
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05
Jul 11

África, tão longe e tão perto. Aqui tão perto, sempre presente na memória. E tão longe... na vontade de lá regressar. Aquele momento da partida forçada foi doloroso e perdura na memória. Não houve tempo para olhar uma última vez e dizer adeus. África ficava para trás. No aeroporto, ouvia-se o barulho assustador do grande tiroteio. Era noite. As  tracejantes riscavam o céu escuro. O medo sentia-se. Já fazia parte daqueles dias e tinha de se conviver com ele. Os confrontos por toda a cidade tornaram-se frequentes. Deixar África e partir, era uma questão de sobrevivência. E de liberdade.

publicado por momento do café às 11:12
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31
Jan 11

Não resisti. A banda sonora de John Barry para o filme "África Minha" de Sydney Pollack (1985), distinguido com vários Óscars (1986), incluindo melhor música e banda sonora original está sempre presente na minha memória.

 

publicado por momento do café às 16:22
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