Breve momento de pausa para quebrar a rotina...

Autoria de textos e imagens do blog é de momento do café


25
Abr 12

  Abril*

 

Vinhas descendo ao longo das estradas,

Mais leve do que a dança

Como seguindo o sonho que balança

           Através das ramagens inspiradas.

 

                             E o jardim tremeu

                               Pálido de esperança.


*in  Obra Poética I (pág. 91) de Sophia de Mello Breyner Andresen, Ed. Caminho, 4ª edição.

publicado por momento do café às 13:04

16
Nov 11

Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o Outro.

        

                                           Lisboa 1914 -Fevereiro


in "Poemas" de Mário de Sá-Carneiro, (pág.42), Edição Teresa Sobral para Círculo de Leitores, 2004 

 

publicado por momento do café às 12:35

12
Abr 11

Abril foi de esperança para nascer Abril de Liberdade e Democracia. Abril de sol e Abril de troika (União Europeia, BCE e FMI) é "(...)Abril de agora". É "(...) Abril de Abril despido (Abril que dói)". O sublinhado é meu.

 

 Abril de sim Abril de não

 

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro

vi o Abril que foi e Abril de agora

eu vi Abril em festa e Abril lamento

Abril como quem ri como quem chora.


Eu vi chorar Abril e Abril partir

vi o Abril de sim e Abril de não

Abril que já não é Abril por vir

e como tudo o mais contradição.


Vi Abril que ganha e Abril que perde

Abril que foi Abril e o que não foi

eu vi Abril de ser e de não ser.


Abril de Abril vestido (Abril tão verde)

Abril de Abril despido (Abril que dói)

Abril já feito. E ainda por fazer.


*ALEGRE, M.: OBRA POÉTICA. Lisboa (1999), publicações D. QUIXOTE, p.444.

publicado por momento do café às 19:25
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20
Mar 11

Na casa da vovó

tem uma gaveta lá

onde pode mexer

s'a tia Raquel está.

Pode abrir

e até espreitar.

Tem lá coisas

de espantar!

Tem lá Barbies

em miniatura

com outras coisas

à mistura.

Tem um homem

vestido de branco.

Aperta-lhe a mão.

Oh ! cruzes...

os olhos mágicos

acendem luzes.

Tem bule e pratinho

mais a chávena

pró chazinho.

Tem um palhaço

qu' é de louça.

Não pode mexer,

é só p'ra ver.

Tem a caixa

com missanguinhas

e nem pensar...

em pentear

umas trancinhas.

Tem o estrumpfe

mais a estrumpfina

com "estórias"

de gente pequenina.

Tem uma cadeira

com um botão

e roda, roda,

o urso salta

e cai no chão.

Tem a boneca

tão pequenina

saída do sonho,

naquele monstro

d' olhar medonho.

Tem as bonecas

de vestes garridas,

cabelo comprido

como esparguete

tão colorido.

São esqueléticas,

e tão anoréticas!

Tem um animal

com geometria,

cheio fantasia

e jeito esquisito,

será um coelhito?

Como é bom João,

a gaveta espreitar

e nela encontrar

tanta coisa...

tanta coisa de espantar.

        RIMAS PRÓ JOÃO (2005),  mariam

publicado por momento do café às 22:33

19
Mar 11

Entre a terra e os astros, flor intensa.

Nascida do silêncio, a lua cheia

Dá vertigens ao mar e azula a areia,

E a terra segue-a em êxtases suspensa.

 

*ANDRESEN, S. M. B. (1998): OBRA POÉTICA I, Ed. Caminho, 4ª edição, p. 123.

publicado por momento do café às 23:15

09
Fev 11

Quem como eu em silêncio tece

Bailados, jardins e harmonias?

Quem como eu se perde e se dispersa

Nas coisas e nos dias?

 

*ANDRESEN, S. M. B. (1998): OBRA POÉTICA I, Ed. Caminho, 4ª edição, p. 122

publicado por momento do café às 23:05

07
Ago 10

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexactas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas,

Mas oh não se esqueçam

Da rosa de Hiroxima

A rosa hereditária

A rosa radioactiva

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atómica

sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada.

De Livro de Letras


*Moraes, Vinicius in "O melhor de Vinicius de Moraes, O poeta não tem fim", (2003, 1ª edição), arteplural edições, Cascais, p.94.

publicado por momento do café às 14:39

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