Breve momento de pausa para quebrar a rotina...

Autoria de textos e imagens do blog é de momento do café


17
Out 11

Sr. Primeiro- Ministro,

As medidas de austeridade, extremamente injustas e muito duras, que nos quer impor sem que nos seja dada uma justificação e sem que nos sejam apresentados os motivos e as ações reais que conduziram o país à situação de definhamento, colocaram-me num estado de alma que balanceia entre a resignação e a indignação. Vivo este dilema: resignação ou indignação?

Se me resigno, calo-me e, como diz o velho ditado, "quem cala, consente". E, a cada medida de austeridade que venha a ser implementada, levo mais um murro no estômago. Contorço-me. Imobilizo-me. E deixo que façam de mim um inútil saco de pancada. Resigno-me e não reajo. Acomodo-me cobardemente ao conformismo do "que tem de ser". Perco toda ação. Entro num estado letárgico. Temo que num momento mais lúcido me arrependa da resignação a que me submeto e não consiga reunir as últimas forças para me questionar e inverter a decisão. E exaurida, desisto. Assim, não posso ajudar o país. A letargia liquida-me.

Se me indigno, não me calo. Refilo. E muito. Reclamo a insustentabilidade de tais medidas de austeridade que nos quer impor. E sempre aos mesmos. A cada murro no estômago, contorço-me com dores, reajo, levanto a cabeça, faço frente e, descontente, oponho-me à estocada seguinte. Revolto-me. Grito a injustiça. Choro a raiva. Barafusto. Parto a louça toda. Uff!!... Até posso ficar cansada de tanta ação, mas não desisto. Não paro esta indignação. Não desmobilizo perante este sentimento de injustiça.

Neste dilema, resignação versus indignação, tomo a minha decisão. A resignação é voz de quem não tem força para contrariar este estado a que Portugal chegou. É silenciosa. Não se faz ouvir. E chuto a resignação. Vai de retro! Agarro-me à indignação. E junto a minha voz a todos os que se sentem tão indignados quanto eu. A voz dos indignados faz-se ouvir? Não sei. Sei que incomoda. E vale a pena contestar, lutar, indignar-me? Acho que sim. Ao menos, não restará pena de não ter lutado. A indignação nem sempre traz a vitória. Estou ciente disso. Mas antes vencida que convencida. E porquê? Porque não me convenço que medidas tão duras possam ser impostas. Exijo a razão plausível e detalhada das causas desta situação a que o país e os portugueses chegaram. Quero só a verdade das contas que sustentam a imposição de medidas tão austeras e o conhecimento do modo como, em nome dos portugueses, foram geridos os negócios e os interesses de Portugal. Não reivindico o espírito justiceiro, nem a justiça popular. Em democracia, a política julga-se nas urnas. A sentença está no poder do voto livre. Mas não só! Se houve a prática de algum ilícito, é ao poder judicial que compete fazer justiça. Só quero compreender os sacrifícios que me exigem e só a compreensão pode atenuar (nunca anular) esta indignação que me estimula à luta por uma mudança real, justa e verdadeiramente democrática de que carece o meu Portugal de quase nove séculos e que precisa de ter futuro, principalmente, para tantos jovens (gente de bem, não confunda com "gente bem") que merecem melhor sorte.

Sr. Primeiro-ministro, neste momento tão difícil, coube-lhe o encargo de governar Portugal. Peço-lhe que, a todos os portugueses, explique melhor o que correu mal para chegarmos a este estado de "coisas". Embora indignada, como cidadã quero compreender e tenho o direito de saber como, onde, para quê, porquê e quem deixou Portugal neste estado de definhamento social, económico e financeiro.

Com indignação,

mariam

publicado por momento do café às 10:04

07
Out 10

 

 

 

*Jornal "Destak" de 07 de Outubro de 2010, p.6.

publicado por momento do café às 17:23

28
Fev 10

Um estado de alma pode compelir alguém para uma sentida expressão de indignação quando se depara com gente que se movimenta, em navegação livre pela Internet, procurando poisar, indiferente, no ponto certo onde pode apropriar-se do trabalho de outrém. Tal gente procede como a mosca. Sim, como a mosca, essa gente conspurca e suga tudo que lhe interessa. Compreende-se que a mosca, na busca do alimento, o faça. Afinal, ela desempenha uma função na Natureza e a sobrevivência da espécie empurra-a para tal... Mas gente que poisa onde pode sugar e conspurcar a criatividade dos outros, desconhece o que é escrever por gosto. É gente que não sabe o que é o acto de construção criativa da escrita e o que ele encerra de frustração, de esforço, de cansaço.  É a frustração que se ultrapassa quando a reformulação ou o recomeço da escrita o exigem. É este o esforço redobrado que se ignora. É o cansaço que invade e com o qual se convive. É gente que não sabe nem pode sentir a emoção, a dor quando se toca em sentimentos e recordações, o entusiasmo das convicções que ficam expressas, a alegria que emerge do texto escrito, da realização conseguida. E é um compromisso que se assume com a escrita para que a rotina não tome conta da sanidade mental que se deseja preservada. E que dizer da indignação que assola o autor, face ao plágio? Essa gente nunca a sentirá. Mas todos estes estados de alma não contam para quem se apropria do labor dos outros. A mosca poisa, cola e chateia. Mas não tanto como essa gente sem questionamento ético.

publicado por momento do café às 18:51

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