África tão longe e sempre tão perto. Longe... no passado e na distância. Perto... na evocação dos dias despreocupados daquele tempo em que o tempo parava para transigir com a brincadeira, os jogos, a leitura, as farras ao som do gira-discos do mano mais velho e, até, com as malandrices que a infância e a adolescência inventavam. E, desse tempo, sobram os dias que, teimosamente presentes, perduram ajustados à marca indelével das cores, dos cheiros, dos sons, dos sabores, das gentes de África. Sentem-se no cheiro do charuto que fumava a engomadeira, a velha Juliana, de quem muito gostávamos e que respeitávamos, sentada no murete do canteiro, enquanto descansava das suas lides. E avivam-se na cor verde dos cachos de bananas dispostos, em fila, no passeio do quintal que nos levava à cozinha. Colam-se ao perfume dos abacaxis trazidos da fazenda dos tios. Daqueles tios, não de sangue, mas das grandes amizades que só em África se faziam. Misturam-se no aroma dos grãos do café da última safra que a mãe torrava lá no forno da cozinha. Acomodam-se ao cheiro do café que invadia a casa e o quintal. Reveem-se na velha máquina de café onde o mano mais velho, na hora, moía os grãos de café torrado para que o aroma e o sabor não se perdessem. Espreitam-se na velha mesa do quintal, à sombra da frondosa "mandioqueira", onde a gente adulta, em ameno convívio, saboreava o café, acabado de ser feito. África tão longe e tão perto, sempre inesquecível.






