Agosto acaba de nos deixar. Sendo o mês mais esperado durante o ano, parece que ele se consome num simples estalar dos dedos e, quando damos conta, já Setembro entra de mansinho como querendo aproveitar-se dos dias ensolarados com que Agosto nos brindou para nos compensar dos doze meses que esperámos pelo seu renovado regresso. Longe do rebuliço dos restantes meses do ano, Agosto embala-nos numa dormência como se mergulhássemos num outro mundo que nos deixa despertos para o lazer e o ócio e imperiosamente nos afasta de aqueloutro que nos escraviza. São os momentos de nos vingarmos da rotina, dos compromissos inadiáveis, da rigidez das horas e dos horários, da submissão ao trânsito, do cansaço das grandes cidades. Parece que em Agosto nada se passa ou melhor, que “tudo nos passa ao lado”. E eis que chega Setembro, voltamos à nossa realidade diária e, durante mais doze meses, aguardaremos um outro Agosto e guardaremos a esperança de gozar aqueles dias de preguiça que ele, novamente, nos proporcionará.





