Sim e porque é dezembro, entrego-me ao direito de sonhar. O brilho do sol, em céu azulado, traz a magia que chama ao alheamento. Se não fossem as decorações que já enfeitam as ruas, certamente esqueceria que o Natal se aproxima e o inverno virá para ficar. É bom sentir este dezembro luminoso, um brinde do outono que condescende e deixa “fugir” a realidade que, embrulhada em cor parda, fica ofuscada, também, pelo brilho dourado e prateado da decoração natalícia, luz e cor, que enche as ruas. Esqueço o frio que faz. Enquanto caminho, sinto o sol reconfortante e o Natal que já se instala. Saboreio o encantamento e sorrio. Por escassos momentos, é certo. E vou trauteando a canção natalícia que ecoa e me acompanha até ao momento em que tudo se esvai. Olho alguém com quem me cruzo. Sol, Natal e música desaparecem. A magia vai-se. Alguém carrega a tristeza e traz a preocupação estampada no rosto. É a imagem de agrura e sofrimento que atinge tantos, tantos… e a ilusão quebra-se. A realidade retoma o tom pardo nestes dias de dezembro que correm com o azul à vista, onde o sol que se faz presente. E se sente.





