Um novo ano é sempre uma surpresa. E, como qualquer surpresa que se preza, é recebido como um presente. O nosso mais recente presente é 2010. E, queiramos ou não, sabemos que dá direito, ainda, a um brinde: a tralha de que não nos conseguimos livrar, em 2009. Sabemos que essa tralha vem bem disfarçada, traz o ar de leveza que um brinde oferece e não o podemos recusar. É sempre um acessório que acompanha este presente que chega envolvido na esperança que, em cada ano, nos abraça, renovada. E, para dar o sabor de surpresa ao presente, o grande laço da novidade é de bom-tom, não pode faltar como complemento decorativo. Então, na posse do brinde que não podemos rejeitar, somos possuídos pela frescura do que é novo e imbuídos da alegria expectante que a surpresa nos confere, depressa desatamos esse laço da novidade e, desfeito o nó, começamos a desembrulhar toda a esperança que envolve 2010. Terá de ser desembrulhada de forma doseada para que se prolongue pelos doze meses. Afinal, é a esperança que nos predispõe ao esquecimento das coisas menos boas do passado, que nos ajuda na aceitação do presente que nem sempre corre como desejamos e é ela que perspectiva a fé e a motivação na construção de um futuro que nos seja mais favorável, quiçá, mais risonho. A esperança tem de alimentar o nosso quotidiano. Abrir 2010, o nosso mais querido e recente presente, é sentirmos mais vitalidade para desembrulharmos a esperança em mais 365 dias que esperamos que a vida nos contemple.





