Breve momento de pausa para quebrar a rotina...

Autoria de textos e imagens do blog é de momento do café


30
Abr 09

A notícia de que alunos numa escola foram filmados a utilizar o computador Magalhães, alegadamente, sem autorização dos pais ou encarregados de educação e com a finalidade de propaganda política, fez-me reflectir sobre o que estaria na mente dos estrategas da campanha política e do tempo de antena do PS, relativamente à mensagem que desejariam passar. Talvez a ideia fosse suportada por aquele velho ditado ''de pequenino se torce o pepino'', mas eu, ciente da liberdade de opinião que transborda neste meu país, posso travestir o velho provérbio e resulta o slogan “de pequenino se molda o so****ismo''. À aparte desta pequena introdução, tomo a liberdade para falar no computador Magalhães que faz parte do projecto do governo para as escolas. Não seria desejável nem tolerável que os alunos, principalmente das classes menos favorecidas, não tivessem acesso à aprendizagem e à utilização das ferramentas da informática e a oportunidade foi-lhes oferecida. A informática ser-lhes-á útil durante a frequência da escolaridade obrigatória que, como se prevê, será alargada para 12 anos ou quem sabe, para as novas oportunidades.
Ao largo, os desígnios eleitoralistas que possam estar subjacentes à tal filmagem. Não é aceitável.
E como diz, no computador Magalhães, clica para ''borrares'', leia-se, ''limpares", ou ''apagares'' ou, ainda, "safares"  esta infeliz intenção e fiquem os alunos a usufruir do dito cujo, com menus em português correcto e não em portanhol porque ''de pequenino se torce o pepino''.
Então, o sr. Secretário-geral do PS, clica e safa... com um pedido formal de desculpa aos pais.

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28
Abr 09

 A liberdade sonhada está a sofrer de uma sintomatologia que atinge e confrange o quotidiano democrático de todos nós. A 25 de Abril de 1974, o sonho concretizava-se para quem tinha consciência política e percepção do que se passava no país. O sonho não se confinava àquele país de então que restringia o direito à liberdade de expressão, que negava a escolha e o voto livre nas urnas, que impunha o dever do silêncio. O sonho voava livre, sim, para além dos limites impostos para não se deixar vergar ao poder autoritário que não admitia a contestação nem a subversão dos governados. Havia, isso sim, o direito ao livre pensamento, à consciencialização e à esperança. Para quem era jovem, fazia sentido agarrar a liberdade que lhe era oferecida e com que sonhara. Até então, residira o medo de emitir opinião diversa do poder instituído e, em oposição, alastrava a curiosidade de colher conhecimento e informação sobre o que se passava para além da fronteira. Tudo circulava em surdina entre quem se confiava. Clandestinamente, a informação chegava. Mas quantos, agora que se dizem democratas, sabiam lá, ou sonhavam sequer, que a democracia e a liberdade um dia chegariam e o que significavam, em termos práticos, os direitos e os deveres de cidadania numa sociedade justa? Mas o que provocou este estado a que liberdade e democracia foram reduzidas? Todo o espírito de liberdade prometida foi pervertida e, por arrasto, a democracia desvirtuada. Passados os desmandos surgidos após 25 de Abril, o PREC e o verão quente de 75 e mais tarde, nos anos 80, as FPs25 de Abril,  para chegar o momento de muitos outros se perfilarem para não perderem o comboio da democracia de que se apropriariam. Prepararam-se, aperceberam-se das vantagens em enveredar pela prestação de altos serviços ao país, pelo povo e pela democracia, e valeriam todos os sacrifícios. A prática de um cargo político, além de prestigiante, possibilitar-lhes-ia a movimentação nos meandros do circuito político, a construção do “carreirismo na política” e a obtenção de um currículo adequado e bem conseguido para dele prover e aceder, no futuro, a um lugar oferecido pelos poderes satélites que circulam e, tantas vezes, definham o poder do Estado. O povo acreditou e tinha esperança. Simplesmente, foi escolhendo quem, com tal "gesto de altruísmo patriótico", se propunha a representá-lo, em nome da “tal democracia”. O resultado só poderia ter sido esta promessa de enganos...

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26
Abr 09

O cavalo-marinho, com elegância de impecável corte, bem talhado pela estilista mater natura, apresenta estatura e porte únicos. Na política, a sua presença corpórea é de sustentável, insuspeita e intocável verticalidade. Com os seus bons companheiros, peixes de pequeno porte e letárgicos na acção, prefere as águas temperadas do seu habitat político onde a sua aparência de ser vivo determinado faz sucesso. Nos ambientes calmos, enrola-se, adapta-se e evolui dependendo do humor e protege-se dos meios conspirativos. Imóvel, apanha e suga tudo o que move, vermes da maledicência e da crítica, plâncton da opinião, crustáceos do comentário, moluscos do artigo político que passam perto de si. Traga-os. Afigura-se um ser pacífico, mas quando se vê ameaçado, luta, aperta a mandíbula do poder, processa o esmagamento da presa para a coarctar. Age muito rápido aos ataques que sofre, poucos são os que o podem alcançar porque, frente aos adversários, movimenta-se na vertical e, ardilosamente, abusa da vitimização enganosa. Faz uso do seu mimetismo, com fácil adaptação ao modelo político  que sirva o seu propósito circunstancial, ambição e poder, e tenta, em queda inusitada, estatelar-se mais à esquerda. Mexe os olhos, à direita e à esquerda, atenta, apercebe-se e aspira as minúsculas ideias de qualquer ser do espectro político que o rodeia. Apossa-se delas. Fecunda-as. Faz a incubação. Impulsionador de quotas para fêmeas na política, fica grávido de ideias apropriadas, desenvolve-as até ao momento de as fazer eclodir, expele-as, em brutais contorções do show-off e elas espalham-se como medidas, decisões e soluções, ilusoriamente transparentes, formatadas de coragem e de determinação pretensas, triunfalmente aplaudidas e impostas pelo voto subserviente do cardume maioritário que o cavalo-marinho domina. E a verticalidade do cavalo-marinho vence.

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25
Abr 09

Era um Abril de amigo     Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo     Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça     Abril de massas
era um Abril na rua   Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava    Abril de acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril    Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se    Abril palavra
esse Abril em que     Abril se libertava.

Era um Abril de clava    Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu as armas.

 

 

ALEGRE, M. (1999): OBRA POÉTICA: Lisboa, publicações D. QUIXOTE, P.441.

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23
Abr 09

Como se aprende o gosto pelos livros? A resposta é simples, lendo. Mas o gosto pelos livros não aparece do nada. Se na infância não for despertado esse gosto, através da leitura de histórias que agradam aos mais pequenos na hora de ir para a cama, na idade adulta esse gosto não se constrói facilmente. Crie-se o hábito de ler para os filhos, ainda na tenra idade, que depressa não dispensam a leitura de histórias ou contos antes de adormecer. Quando a criança desde muito pequena manuseia e aprende a desfolhar um livro, a ver as imagens, a olhar o aspecto do texto, a pedir que lhe leiam para ela ouvir, a interpretar e a questionar sobre as personagens e a acção, ela não só está a construir uma linguagem mais elaborada e a enriquecer o seu vocabulário, como,  inconscientemente, começa a sentir o prazer que um livro dá e vai- se apercebendo que, um dia, também terá a capacidade de ler. É o seu primeiro contacto com a leitura e com a escrita. Quantas vezes vemos uma criança a imitar o adulto no acto da leitura, apontando com o dedo, seguindo as linhas do texto escrito, fingindo que lê! Então, apercebemo-nos que ela já interiorizou, de um modo simples, a regra da leitura e da escrita, da esquerda para direita e de cima para baixo. O modelo de pais que gostam de ler é uma importante condição para transmitir aos mais novos o gosto pelos livros. Quem não teve o contacto com os livros durante a infância, dificilmente, na idade adulta sentirá apetência pela leitura, fará dela uma tarefa fastidiosa e quando tiver de o fazer, por necessidade, encontrará dificuldades a nível cognitivo porque ler é, fundamentalmente, compreender.
Infelizmente neste país, só alguns tiveram ou têm acesso à cultura e aos livros. Tradicionalmente quem estudava era uma elite, a escola era objectivada para a classe dominante, o que afastou grande parte do povo português da escola e que não teve a oportunidade de aprender a ler. Com a massificação do acesso à escolaridade, após o 25 de Abril, em proporção, aumentou o gosto pela leitura? Não me parece, actualmente, o que tem vindo a mudar é o gosto por outro tipo de leitura. O gosto inclina-se e reflecte-se numa literatura “light”, de fácil consumo que emergiu e se instalou, vende bem e, por razões comerciais, é bem suportada pelas editoras que a justificam pela necessidade de satisfazer um novo e crescente grupo de leitores. Não nego que haja mais gente a ler, mas que qualidade de leitura é consumida? Quem gosta da boa leitura que um bom livro proporciona, não consegue “tragar” esta nova literatura de consumo imediato. No entanto, concordo com muitos que dizem que mesmo este tipo de livros “ligth” já levou muita gente ao hábito da leitura, o que é positivo.

publicado por momento do café às 17:22

22
Abr 09

A frequência obrigatória do ensino pré-escolar é um ganho no percurso académico de uma criança. Ao iniciarem o 1º ciclo do ensino básico, as crianças mostram diferentes níveis de competência linguística e muitas delas possuem um código de linguagem restrito que pode condicionar-lhes a aprendizagem e o sucesso escolar. Quando a criança, pelo menos, aos 5 anos, frequenta o pré-escolar, vai beneficiar com a socialização e, pela interacção com os seus pares e os adultos, pode contactar com modelos correctos da linguagem oral que vão favorecê-la e facilitar-lhe a aquisição de um código de linguagem elaborado.
No pré-escolar, o manuseamento dos diversos tipos de livros que estimulam o gosto pela leitura e que a criança reconhece pelas histórias e pelos contos que lhe são lidos, a realização de jogos e actividades de desenvolvimento das estruturas cognitivas e de coordenação espacial, visual e motora são contributos para a aprendizagem da leitura e da escrita quando chega ao 1º ano de escolaridade.
Na minha opinião, sempre que possível, só a partir dos 3 anos é que a criança deveria iniciar a frequência do pré-escolar ou jardim de infância (não infantil, como muita gente confunde), com um projecto educativo bem estruturado, com actividades e aprendizagens devidamente planeadas tendo em conta os diferentes grupos etários. Aos 3 anos, porquê? Porque "na família joga-se tudo até aos três anos", é o tempo decisivo para a criança construir o “eu pessoal” e o “eu social”. Já Paulo Freire afirmava que “a primeira escola da criança é a família. Na família ela aprende observando o modelo adulto. O adulto faz, a criança observa e muito...na família a lição é a toda a hora: na conversa da vizinha, na feitura da comida, na arrumação da casa, nas brigas...". Vimos a assistir que os papéis na família estão a mudar e a evolução que se vem a registar nas funções da família permite que homens e mulheres estejam numa relação de igualdade de direitos e deveres no que respeita à educação dos filhos e ao trabalho. Actualmente, os pais vêem-se na contingência de, desde muito cedo, entregarem os filhos a creches, jardins de infância e escolas, porque o mercado de trabalho exige-lhes uma actividade (ou a uma carreira) profissional cada vez mais absorvente. O sistema familiar tradicional proporcionava uma das bases de estabelecimento de uma rede de relações familiares e sociais que, nas sociedades modernas, são assumidas pela escola, pela importância que esta tem no papel da socialização secundária da criança.

publicado por momento do café às 23:52
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20
Abr 09

 

Created by Rodney L. Noga

http://www.columbine.net/

 

Foi há 10 anos que ocorreu o massacre em Columbine High School, perto de Denver, e integrada no sistema escolar das escolas públicas do Condado de Jefferson, no Colorado. Perderam a vida 12 alunos e um professor e causou ferimentos em 23 alunos. O massacre, com recurso a armas e bombas que construíram, foi planeado e concretizado por dois alunos da mesma escola, que acabaram por se suicidar. Este massacre ainda estava muito presente, tinha acontecido havia pouco mais de um ano, quando, no âmbito da minha formação em comportamentos e problemáticas de risco, tive o privilégio de assistir ao depoimento/aula do Professor Scott Poland que coordenou as equipas de intervenção e resposta às crises desencadeadas  após os massacres, na Heath High School, Paducah, Estado de Kentucky, em 1 de Dezembro de 1997 e na Westside Middle School, Jonesboro, Estado de Arkansas, em 24 de Março de 1998 e que, como psicólogo especialista na prevenção de acções de violência e de suicídio juvenil, liderou a equipa que foi convidada para Jefferson County Public Schools (as escolas públicas do Condado de Jefferson), Colorado, para dar resposta ao trauma e à crise após o massacre na Columbine High School.

publicado por momento do café às 18:47
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Boa Nova: Farol e mar

Do terraço vejo o mar...

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