Envolto numa chuva impertinente e tocada a vento, com festejos de cor e euforia, 2014 é o presente que a vida nos oferece e que, nos próximos e restantes 363 dias, iremos desembrulhar. Os segredos que ele esconde, a áurea do mistério que encerra, o desencanto da novidade que queremos descobrir predispõem-nos para que este novo ano seja encarado com a muita precaução e receio. “Novo ano” tem implícito o desejo de vida nova, de mudança de factos e de atitudes que venham fazer a diferença para que 2014 não se resuma à mera e festiva passagem que marcou a rotina dos dias que correm. Afinal, desejamos que algo mude, que se quebre o enguiço que nos persegue, mas o que nos aguarda não parece ser simpaticamente promissor. E para que não nos deixemos abater, perante o futuro que nos pintam tão sombrio, façamos das tripas coração e digamos: já que chegou, 2014 que venha “para o que der e vier”. Que venham mudanças, mas as boas mudanças. E como as queremos! Que os sacrifícios a que nos sujeitaram por via da crise tenham valido a pena, sob pena de deixarmos que a indignação que sustemos consiga extrapolar a esperança que ainda nos sustenta e nos sustém.





