Breve momento de pausa para quebrar a rotina...

Autoria de textos e imagens do blog é de momento do café


27
Out 11

A nossa competitividade começou a perder-se no tempo em que as naus, que deram mais mundo ao mundo, voltavam com riquezas trazidas das paragens distantes onde aportavam. A riqueza superava os custos das viagens. Tornávamo-nos ricos e importantes. Estávamos na idade Moderna, íamos de mãos estendidas e vazias e regressávamos com elas cheias de riquezas. O direito às terras já descobertas ou que viessem a ser descobertas, o tratado de Tordesilhas com o nosso concorrente mais direto, a Espanha, ajudaram a adormecer a nossa competitividade. E porque não custava a ganhar tanta riqueza, as mãos abriam-se para esbanjar. Era riqueza que não vinha do trabalho e que matava a competitividade. Gastava-se "à tripa forra". Não se poupava...

Portugal, quatro séculos passados, em 1890, mal refeito da humilhação que sofrera com o Ultimato Inglês, anunciava a bancarrota. Era o colapso das finanças públicas. Continuávamos a gastar e as remessas de ouro dos emigrantes no Brasil diminuíam e já não seguravam as dívidas. Os bancos abriam falência. De crise em crise, a monarquia e os governos continuavam descredibilizados e a República acabava por vingar em 1910. Com um senão! A I República, com governos sucessivos e fracos, continuava a desbaratar as finanças públicas. Nos anos 30 do séc. XX, a fome chegava a Portugal, o descontentamento e o empobrecimento deixavam o povo "preparado" para o Estado Novo que se impunha com autoritarismo e reequilibrava as finanças do país. A ordem era poupar, poupar. Mais tarde, quarenta e um anos depois, em 1974, a Revolução de 25 de Abril acontecia e, com ela, vieram as convulsões sociais e laborais, a reforma agrária, as nacionalizações, a descolonização, e Portugal, já em democracia, encetava um novo caminho para a falência nacional. Estendia as mãos ao FMI, nos anos 80. Aguentávamos a sua ajuda e tínhamos o desiderato que se concretizava: em 1986, já éramos um membro da EU (União Europeia). E, de mãos estendidas, íamos aos subsídios. E lá vínhamos da UE, com as mãos cheias de subsídios que não gastávamos em atividades necessárias e ajustadas à nossa realidade e que poderiam ter desenvolvido a nossa competitividade e ter feito florescer a nossa economia e a nossa riqueza. Portugal, país pobre, sempre de mãos estendidas aos subsídios e às ajudas da EU, passava a viver com manias de rico. Gostava de viver acima das suas capacidades. Continuava a gastar muito e a produzir muito pouco. Desbaratava as oportunidades como novo país da EU. A economia a crescer pouco, pouca competitividade e um Estado despesista abriam caminho para um novo colapso financeiro. Os bancos deixavam de emprestar dinheiro para cobrir os compromissos e as dívidas do país e, como no passado, em 2011, lá íamos, de novo, de mãos estendidas, pedir (era tarde para negociar) um resgate externo. E o FMI, desta vez, não vinha só. Consigo, trazia o BCE e a EU. Era a Troika que chegava a Portugal. Auditava as nossas contas e impunha as suas regras. Nas nossas mãos estendidas, depositavam uma nova ajuda financeira e as suas condições: medidas austeras, reformas e as decisões duras e penalizadoras. E Portugal hipotecava sua soberania.

publicado por momento do café às 13:10
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26
Out 11

Em tarde chuvosa de outono...

publicado por momento do café às 17:16

24
Out 11

A palavra está bem paga. Está em alta. Bem cotada para quem a profere nos media e "merecidamente" se julga digno de ser bem remunerado na proporção direta da fluidez com que faz uso dela. Sem descontos, mesmo que ela seja incontida, enrolada e demagógica. Sem acréscimo de valor à cotação corrente, ainda que esclarecedora e sensata. Debate-se, comenta-se, analisa-se, opina-se, especula-se, conjetura-se, prevê-se... A palavra está plenamente "in ". Crise, défice, dívida soberana, troika, BPN, PPP, Scuts, Madeira, remunerações, agravamento, impostos, taxas, desemprego, recessão, OE! Quanta palavra...oops! E bem martelada para que se não escape alguma ou se esqueça que é austera e o seu efeito é penalizador. Estafada, ela baralha, confunde, desanima, amedronta. Desastrosa no quotidiano do cidadão. E, se a palavra produz um efeito tão nefasto, qual o motivo por que se atura tanto palrador? Apetece-me questionar: "Por qué no te callas?"

publicado por momento do café às 11:28
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19
Out 11

Perdia-se o poder. E não era por acaso. O líder mostrara-se corajoso e determinado mas um autismo político apoderava-se dele. Um ar insustentável de descontentamento e desalento respirava-se na sociedade. Era exigida uma mudança. E, democraticamente, o povo escolhia outra maioria. Após a derrota nas urnas, o líder perdia o poder, demitia-se e era urgente escolher uma nova liderança partidária. Da eleição ao congresso, logo umas quantas "libelinhas" adaptavam-se à nova circunstância. São ágeis e rápidas na demonstração de uma fidelidade inquestionável ao novo líder eleito. Subservientes, esquecem o passado e os compromissos assumidos. E o novo líder "deleta" responsabilidades na pesada herança que compromete o futuro. E porque não? Afinal critica a obsessão com o défice, o que não é muito original. Alguém, anos atrás, já dissera que havia mais vida para além do défice! Por isso a ilusão continua a perdurar para alguns...

publicado por momento do café às 10:02

18
Out 11

A fazer fé nesta notícia, os cidadãos portugueses não podem pactuar com  IMORALIDADE e INJUSTIÇA!!!!

O meu estado de alma é de INDIGNAÇÃO!!!

publicado por momento do café às 12:08

17
Out 11

Sr. Primeiro- Ministro,

As medidas de austeridade, extremamente injustas e muito duras, que nos quer impor sem que nos seja dada uma justificação e sem que nos sejam apresentados os motivos e as ações reais que conduziram o país à situação de definhamento, colocaram-me num estado de alma que balanceia entre a resignação e a indignação. Vivo este dilema: resignação ou indignação?

Se me resigno, calo-me e, como diz o velho ditado, "quem cala, consente". E, a cada medida de austeridade que venha a ser implementada, levo mais um murro no estômago. Contorço-me. Imobilizo-me. E deixo que façam de mim um inútil saco de pancada. Resigno-me e não reajo. Acomodo-me cobardemente ao conformismo do "que tem de ser". Perco toda ação. Entro num estado letárgico. Temo que num momento mais lúcido me arrependa da resignação a que me submeto e não consiga reunir as últimas forças para me questionar e inverter a decisão. E exaurida, desisto. Assim, não posso ajudar o país. A letargia liquida-me.

Se me indigno, não me calo. Refilo. E muito. Reclamo a insustentabilidade de tais medidas de austeridade que nos quer impor. E sempre aos mesmos. A cada murro no estômago, contorço-me com dores, reajo, levanto a cabeça, faço frente e, descontente, oponho-me à estocada seguinte. Revolto-me. Grito a injustiça. Choro a raiva. Barafusto. Parto a louça toda. Uff!!... Até posso ficar cansada de tanta ação, mas não desisto. Não paro esta indignação. Não desmobilizo perante este sentimento de injustiça.

Neste dilema, resignação versus indignação, tomo a minha decisão. A resignação é voz de quem não tem força para contrariar este estado a que Portugal chegou. É silenciosa. Não se faz ouvir. E chuto a resignação. Vai de retro! Agarro-me à indignação. E junto a minha voz a todos os que se sentem tão indignados quanto eu. A voz dos indignados faz-se ouvir? Não sei. Sei que incomoda. E vale a pena contestar, lutar, indignar-me? Acho que sim. Ao menos, não restará pena de não ter lutado. A indignação nem sempre traz a vitória. Estou ciente disso. Mas antes vencida que convencida. E porquê? Porque não me convenço que medidas tão duras possam ser impostas. Exijo a razão plausível e detalhada das causas desta situação a que o país e os portugueses chegaram. Quero só a verdade das contas que sustentam a imposição de medidas tão austeras e o conhecimento do modo como, em nome dos portugueses, foram geridos os negócios e os interesses de Portugal. Não reivindico o espírito justiceiro, nem a justiça popular. Em democracia, a política julga-se nas urnas. A sentença está no poder do voto livre. Mas não só! Se houve a prática de algum ilícito, é ao poder judicial que compete fazer justiça. Só quero compreender os sacrifícios que me exigem e só a compreensão pode atenuar (nunca anular) esta indignação que me estimula à luta por uma mudança real, justa e verdadeiramente democrática de que carece o meu Portugal de quase nove séculos e que precisa de ter futuro, principalmente, para tantos jovens (gente de bem, não confunda com "gente bem") que merecem melhor sorte.

Sr. Primeiro-ministro, neste momento tão difícil, coube-lhe o encargo de governar Portugal. Peço-lhe que, a todos os portugueses, explique melhor o que correu mal para chegarmos a este estado de "coisas". Embora indignada, como cidadã quero compreender e tenho o direito de saber como, onde, para quê, porquê e quem deixou Portugal neste estado de definhamento social, económico e financeiro.

Com indignação,

mariam

publicado por momento do café às 10:04

14
Out 11

Quando a resignação está no ponto de extrapolar o sustentável, só me resta soltar este grito de indignação...


  http://momentodocafe.blogs.sapo.pt/
publicado por momento do café às 10:53

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