Breve momento de pausa para quebrar a rotina...

Autoria de textos e imagens do blog é de momento do café


31
Mai 09

Os políticos portugueses apenas falam a língua que sabem que o povo português entende: a emoção e o ruído” – alguém, assim comentou, por aqui. Acrescento que não somente a classe política mas também os media há muito perceberam que o povo português se caracteriza por uma ruidosa amplitude emocional. Uns e outros sabem como a explorar e alimentar. É uma reciprocidade e fazem-na egoisticamente. Dela colhem os seus proventos que se traduzem no aumento de votos para os políticos e de audiências ou de vendas para os media. Eles reconhecem como o povo português pode ir do mais pungente drama ao mais malicioso dichote e brejeira anedota. Como reage ruidosamente! Os políticos, usem eles uma linguagem pouco respeitosa e slogans de campanha política bem polémicas, ou então, aos media, dêem-lhe um dramalhão, daqueles escabrosos (que não lembram ao diabo), que o português sustenta  a polémica e o drama até à exaustão porque um choradinho luso, bem alimentado, resulta sempre. A televisão, particularmente, proporcione-lhe reportagens e programação que possam levá-lo da mais sentida lágrima à euforia mais estridente que a fidelidade do povo português não falha. Dêem-lhe razões e questões políticas, casos de vida e morte tristes, derrotas e vitórias da sua paixão clubística ou partidária que o povo português, de coração aberto, reage emocional e ruidosamente: comenta, opina, conjectura, especula, emite juízos de valor, faz o julgamento. Chega a apresentar um plano A ou um plano B, como alternativo de solução. Mas emoção e ruído estão sempre presentes. Transforme-se naquilo a que se chama de treinador de bancada, sabedor que domina todos as questões e assuntos... É o feed-back que a classe politica e a media esperam para a linguagem que usam. Mas não julguem os políticos e os media que só depois do 25 de Abril é que descobriram este quinhão. ''E tal com dantes, faz-se tudo igual no quartel de Abrantes''. Também o antigo regime soube usá-lo e sustentá-lo. Porque o slogan ''Fado, Futebol e Fátima veio para ficar. Continua de pedra e cal. São parte visceral da emoção e do ruído do povo português. Bem aproveitado, ''Fado, Futebol e Fátima'' foi transformado, circunstancialmente, para que pudesse ser apossado e acomodado pela política e pela informação social da actualidade, tendo em mente que a Lei de Lavoisier não lhes foi alheia e que aplicada ao rectângulo geográfico que acolhe o povo português, torna-se em resultado significativo: Em Portugal, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”... porque alienado é como se quer que o povo siga a dança e a contradança.

publicado por momento do café às 11:12

30
Mai 09

Recuso-me aceitar esta política de atroada e maledicência que está a caracterizar a campanha para as eleições europeias. Entre os dois maiores partidos portugueses faz-se um autêntico jogo de ping-pong de críticas, insinuações e acusações. Mais que nunca e principalmente com a proximidade das eleições europeias, a discussão das ideias e de propostas entre os partidos políticos deveria ser encarada com elevação democrática pelo respeito que todos os candidatos devem ter pelo eleitorado. Mas não me parece que isso esteja a acontecer. Como cidadã sinto-me indignada com o último epíteto com que o cabeça de lista do PS brindou os militantes do PSD. A ferocidade verbal e o termo usado é pouco recomendável. O enfoque da campanha deveria ser a apresentação  e o esclarecimento das políticas que propõem para a Europa de que fazemos parte. É vergonhosa a orientação de intolerância e desrespeito que a campanha eleitoral está a tomar. Que esperar de democratas desta ''craveira'' que não se respeitam? Querem o nosso voto mas não nos respeitam! Gladiam-se! Contudo, apresentam pontos comuns: nenhum respeito pelo povo português, ânsia de captar o eleitorado e desejo de vitória. Do eleitorado, em comum, só podem esperar a descrença e a indignação.

publicado por momento do café às 01:41

29
Mai 09

Um escorpião, para que lhe seja facilitada a sua anuência ao mundo de uma europa unida, usa a estratégia da ''eloquência'' predatória que lhe possibilita uma vitória eleitoral. Sujeito ao escrutínio, um escorpião tem a força da convicção junto ao eleitorado. Agora que vai submeter-se ao sufrágio eleitoral, adapta-se aos novos ambientes, aos espaços e às gentes e, afincadamente, sujeita-se à campanha eleitoral a que se entrega com empatia. Sempre lúcido, um escorpião, candidato que se diz independente, difunde as propostas do seu programa eleitoral a todos que ocorrem às sessões de campanha. Procura que o escutem, digiram as suas ideias e recorrendo ao domínio das quelíceras da sua tão reconhecida inteligência, mostra-se acintoso e, em propaganda eleitoral, com garra, faz uma crítica tão desagradável que as palavras saem-lhe como se desejasse fazer calar os candidatos da oposição que apregoam o respectivo programa eleitoral, na ânsia de chamarem a si os votos dos que habitualmente lhes são fiéis e dos outros que se acomodam à desilusão que os mergulha na decepção com a classe política e os inclina para a atitude de abstenção como sinal do seu descontentamento. Mas o objectivo de um escorpião candidato projecta-se na captação do voto, quer de quem é leal, quer daquele que pretende colocar-se na configuração da abstenção. E como é temida a probabilidade desta se concretizar! Porque muitos não perdoam a exúvia de promessas feitas!  Com audácia provocatória, um escorpião procura manter-se na frente do combate e sempre que possível, acobertado pelo líder, não vá a flexibilidade do seu exosqueleto fazer emergir uma proposta sua, de cariz independente, dissonante e embaraçosa. Com reacção emocional, pretende saber lidar com o povo que o vai acolhendo e certo do seu próprio poder, esquiva-se habilmente das ferroadas extremamente fortes dos adversários de campanha política. Não debate ideias com os opositores. Para os confundir, estridula de forma contínua. Quer silenciá-los. Tenta  restringi-los  com as suas quelas  e por fim, atingi-los com o seu tão palavroso veneno. E vencê-los-á por KO?!

publicado por momento do café às 00:14

25
Mai 09

Com a campanha política para as eleições europeias, não faltará demagogia a jorros. Esta citação de Karl Kraus vem mesmo a propósito e mantém-se tão clara e actualizada.


''O segredo do demagogo é fazer-se passar por tão estúpido quanto sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele''.

 

Karl Kraus (escritor e jornalista austríaco, séc.xx)

publicado por momento do café às 15:18
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24
Mai 09

Dragãozinho azul
de doce olhar,
ar de criança,
lá no castelo
no alto do monte,
o que guarda?
Guarda
a esperança
da linda princesa
de rara beleza.
Dragãozinho azul
de doce olhar,
ar imponente,
lá no castelo
no alto do monte,
o que esconde?
Esconde
a linda princesa
de rara beleza.
Dragãozinho azul
de doce olhar,
ar sorridente,
lá no castelo
no alto do monte,
o que defende?
Defende
a linda princesa
de rara beleza.
Dragãozinho azul
de doce olhar,
ar altaneiro,
lá no castelo
no alto do monte,
o que espera?

Espera
o cavaleiro,
que leva
a linda princesa
de rara beleza.

 

(Rimas Pró João)

publicado por momento do café às 16:59

21
Mai 09

Em voo rasante, o tom rosado identifica-o facilmente sobre a margem esquerda do rio, ali tão próximo da polémica. A cor marcadamente rosa das suas asas permite distingui-lo a grande distância e no seu marisma costumeiro, esta espécie pernalta corre esbelto com a sua plumagem rosada, colhe o estatuto de favorito na colónia leal ao rosa para que a forte envergadura da sua alma, coloridamente matizada, desde o tom rosa mais pálido ao mais vivo, não se atreva a destoar do ambiente que o envolve. Por aqui e por ali, no estuário do rio que frequenta, mantém-se alheio ao que se passa ali mesmo ao lado, fruto de acalorada controvérsia sustentada pelos media. Sem alteração, e com a fleuma exótica que o seu aspecto característico lhe confere, com as suas pernas rosáceas e bem longas vai percorrendo toda a margem de terreno alagadiço na área de conservação a que se sente confinado. A sua plumagem rosada outorga-lhe o privilégio de alimento em águas tão salobras que escolhe como seu habitat predilecto e onde firma arraiais para que, do generoso responsável pelo seu colorido, possa colher o produto dos pigmentos carotenóides de uma dieta de base acentuadamente rosa que o cerca e o sustenta, constituída, maioritariamente, por algas, crustáceos e invertebrados que povoam as águas de aspecto turvo e pouco profundas em que preferencialmente mergulha. Tão rosa e de beleza inconfundível, a este flamingo, é-lhe concedido o beneplácito de uma alimentação que resulta da imersão do seu bico encurvado, poderoso e que mana da perfeita adaptação à filtração para que possa dar continuidade à sua sobrevivência na família rosa dos fenicopterídeos e lhe realça o brilhantismo do tom rosáceo de que não pretende desligar-se.

publicado por momento do café às 00:11
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18
Mai 09

O louva-a-deus, aparentemente devoto, parece possuir uma aura que não o deixa ser esquecido ou humilhantemente derrotado. Em contemplação, com cuidado meticuloso, na posição de quem está orando, vai observando todos os movimentos ofensivos e defensivos dos himenópteros, ortópteros saltadores e outros e dos aracnídeos pedipalpos do universo político dos insectos e dos aracnídeos. Protege-se, fica imóvel por longo tempo, confunde todos os outros que pretendem destruir o seu Mestre Louva-a-deus. Atento, com o seu único ouvido, perscruta e sabe esperar. Os seus enormes olhos, capacitados de uma visão perfeita do que se passa em seu redor, permitem-lhe detectar o momento propício para exercer premente influência, com rapidez fatal. Movimenta-se usando a sua camuflagem estatutária que lhe permite objectivar um total exercício de pressão. É um factor importantíssimo a facilidade com que, em combate, faz uso do seu mimetismo e da sua agressividade devoradora para que resulte um controlo apertado sobre uma praga de maldizentes. Predador voraz, na sua missão de protecção ao Mestre Louva-a-deus, o seu voo impressionante dá-lhe a possibilidade de desviar ataques que desferem contra si e, em autênticos mergulhos, pratica actos de pressão sobre as espécies que avaliam as acções de maledicência que pairam sobre o seu venerando Mestre. As suas pernas anteriores muito desenvolvidas, impróprias para a marcha e modificadas em forma de pinças muito eficazes na captura das suas presas, procuram o momento oportuno para actuar, agarrar e pôr termo a todos os processos difamatórios. Mas o pior é quando as suas possantes mandíbulas extensivas, capazes de esmagar as presas, encontram fortes carapaças imunes a acções e a palavras de coação e reagem sem receio a retaliações. Então, quase decapitado pela denúncia dos seus actos no exercício das suas altas funções, acredita nos seus poderes sobrenaturais tão alimentados pelos mitos e lendas dos gregos antigos e como lutador ao nível do Kung-Fu, no melhor estilo louva-a-deus, espera que toda a sua ferocidade, o seu espírito combativo e tenaz sejam recompensados, mais uma vez, pelo exercício de meritocracia do grande Mestre Louva-a-deus.

publicado por momento do café às 00:15

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