O tempo de turmas numerosas já passou e há muito. A escola era e é outra realidade. A escolaridade obrigatória confirmou-a. Numa qualquer turma de uma qualquer escola, os alunos não têm igual capacidade de compreensão, aquisição e aplicação dos conteúdos programáticos. Por isso, os resultados de desempenho diferem de aluno para aluno. Ritmos de aprendizagem e desempenhos diferentes não podem ser entendidos como inócuos no processo ensino-aprendizagem e, numa qualquer turma, a competência do professor não se limita à "transmissão de conhecimentos" e à avaliação dos bons resultados atingidos pelos alunos que aprendem bem. Alarga-se e consolida-se, sobretudo, na desmultiplicação de estratégias, ações e meios a que recorre para executar a planificação de tarefas e atividades que traça e que contemplam as diferenças na aprendizagem e no desempenho e, simultaneamente, cumprem a programação curricular, tendo sempre em mente o objetivo comum que propõe para todos os alunos, o sucesso escolar, positivo e de qualidade, reconhecendo, no entanto, que o mesmo é expresso com diferentes gradações quantitativas de acordo com a avaliação de conhecimentos e o nível de realização de cada um. Em turmas alargadas, grandes, esse trabalho torna-se humanamente frustrante porque o professor não consegue, com eficiência, atender, dar resposta e receber o justo retorno do trabalho que realiza com todos eles. A escola, sem admissão do facilitismo que promove a mediocridade que frustra e desmotiva os alunos com melhores resultados, ilude e defrauda aqueles que, com muito esforço, superam as dificuldades de aprendizagem e alcançam sucesso escolar, deve proporcionar condições como um menor número de alunos por turma, professores competentes, alunos trabalhadores, e pais e encarregados de educação responsáveis.